sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Deivid Silva ataca os tubos

O local da praia Branca do Guarujá (SP), Deivid Silva, 14 anos,  esbanjou estilo no "quintal de casa" durante swel no mês de fevereiro.

Em esquerdas tubulares e perfeitas de 1 metro, o atual campeão brasileiro iniciantes mostrou por que é considerado uma das grandes promessas da nova geração.

Deivid Silva tem o patrocínio da Natural Art e apoio da Glasser, Globe, Flyer, X-Treme Radical e shaper Silvio Zampol.





Na verdade, esta matéria foi publicada no site da Waves, hoje (26/02/2010), mas fiquei impressionado, não pelo belo tubo do Deivid, mas pela sua atitude, com 14 o Deivid já é campeão brasileiro iniciantes, pega altas no quintal de casa. É caro leitor, em uma época como a que estamos, onde vários Jovens estão perdendo seu tempo e sua vida pra Droga, ainda temos alguém que se preocupa com o futuro do Surf!!!!!




Confira mais fotos.




















terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Rio Surf City (Nas ondas da Paz)




Depois de um ano e meio captando imagens no litoral fluminense, os videomakers Omar Caneta e Petra Hanke apresentam Rio de Janeiro Surf City, novo lançamento da Adventure Surfers Vídeos.

O vídeo foi produzido com o intuito de promover a paz no Rio e incentivar os jovens a praticarem mais esportes.

Rio de Janeiro Surf City conta com imagens de alguns dos melhores surfistas brasileiros da atualidade em vários picos do estado fluminense.

A galera exibe performances tanto nas competições como no free surf. "De Grumari a Búzios, o surf do Rio não para, independentemente do caos em que vivemos. Espero que o filme possa passar mensagens boas e de paz para todos e que o Rio volte a ser a cidade maravilhosa outra vez", diz Omar Caneta.

Atletas como Heitor Alves, Pablo Paulino, Leo Neves, Victor Ribas, Messias Félix, Eric Rebiere, Filipe Braz, Martins Bernardo e muitos outros arrebentam nas telas.

Neste sábado (27/2), acontece a estreia do filme com exibição na creperia Chez Michou, em Búzios, na Rua das Pedras, às 23 horas, com sorteios de pranchas UB (Udo Bastos) Surfboards, camisas e DVD's do filma.,

A festa conta ainda com alguns atletas que estrelam o filme. O lançamento tem patrocínio da UB Surfboards e apoio da Cilicos Pizzaria e Creperia Chez Michou de Búzios.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ódio ao Surfista?




Em um portal designado a atender surfistas de todo Brasil, este título pode soar fora de contexto. Não está. Na verdade trata-se de um comunicado institucional, dirigido a todos nós, surfistas, simpatizantes, iniciantes e veteranos.

Mas gostaria de substituir a palavra “ódio”. Meu pai sempre disse que é um termo muito forte para ser usado sem certeza. Concordo e como ele tem mais moral, então substituiremos por “não suporto mais surfista”.

Há muito tempo digo isso em razão do meu desapontamento com a rapaziada. Estou perto dos 30 e surfo desde os 15 anos, quando herdei do meu brother uma “Flor da Ilha”. Muita gente vai se identificar com este início, principalmente quem é de Florianópolis (SC) e que conhece esta prancha. 

Meu nível de surf está para “amigo da raça”. Vez ou outra sai uma batida, uma rasgada legal, uma penteada e raramente um tubinho para ganhar o dia, honestamente falando, pois sei bem a diferença entre uma penteada e uma boa “tubaca”, o que muitos não sabem.

Não sou local de nenhuma praia. Aqui, como a maioria, sempre surfei de acordo com as condições, o que faz muito local sair do seu pico para procurar coisa melhor. Para mim está mais para ‘‘deslocalismo’’.

Mas enfim, o localismo existe e deve ser levado a sério. Pelo menos no Atalaia, Itajaí(SC), o único lugar que pude realmente constatar que haole não entra. Só lá! Ou alguém discorda? Em qualquer outro lugar forasteiros entram sim e ainda fazem a festa, ou são “arregados”.

Mas não é do localismo que quero falar e sim da atitude dos surfistas. Um dia destes um amigo que não é do surf me descreveu como invejava os surfistas: “Bixo, esta turma do surf dá um banho. Sempre na praia, tudo em forma, curtindo a natureza, relaxadão...”. 

Relaxadão? Curtindo a natureza? Tive que interrompê-lo para dizer que ele não fazia ideia do que estava falando. 

Expliquei que hoje em dia existe o localismo. Que em muitas praias surfistas não aceitam outros surfistas. Que o surfista, o garotão da praia, envolvido com a natureza, é no fundo um preconceituoso.

Expliquei que a indústria fabrica surfistas que nada entendem do esporte, que acham que basta tirar a calota do carro, encher de adesivo e amarelar o cabelo para entrar na água berrando, bicudo, sem respeito por nada.

Muitos dizem que não se trata de um esporte democrático. Estive no Rio alguns meses atrás e vi dezenas de moleques da favela andando de prancha na mão, amarradões, sem vícios de marcas ou modismos, apenas curtindo o que as ondas oferecem.


O que se percebe atualmente é que no surf não existe o menor sentimento de companheirismo. Dentro d’água, o sentimento é competitivo e nada amistoso, como se cada onda perdida, pega por outro, despertasse o pior sentimento nos espectadores ali presentes. 

Em uma pista de skate, crowdeada de profissionais e amadores, basta um qualquer executar bem uma manobra que soa o coro: “yeah!”. Aliás essa raça do skate sim dá um banho.

Tomar o exemplo desta galera não é difícil. Alguém já experimentou andar em uma pista cheia?  Trombadas, skate dos outros “espirrando” na sua canela (o que machuca demais), porém nenhuma briga, xingamento. 

E olha que nem o mar está ali para esfriar a cabeça. Acho que, inconscientemente, existe o respeito ao ser humano, ao desconhecido que está ali compartilhando a mesma experiência. Não vamos considerar como uma virtude o respeito, mas sim como algo essencial para a boa convivência, um acessório de fábrica.

Enfim, pode ser uma opinião bem pessoal. Uns podem se identificar e outros não. É capaz de ter gente me esperando com uma pedra na mão na minha próxima queda.

Queria ver a galera mais relaxada, menos tensão no mar, mais surf e menos desrespeito. 
Que os iniciantes busquem entender os fundamentos do surf antes de entrar em um mar crowdeado. Procurem saber o que é preferência, que rabear não é legal, que o mar merece respeito.

E veteranos, vocês já foram iniciantes, tentem ser mais compreensivos e, ao invés de dar um esporro, ensinem, compartilhem experiências, auxiliem. Não é utopia. Pratiquem isso pelo menos uma vez e garanto que as próximas serão mais fáceis.

Costumo dizer que o surf se tornou um esporte ingrato, que estava me trazendo mais desilusões que alegrias. Até que um dia desses levei meu brother, portador da síndrome de down para surfar comigo.

E nele, deitado na prancha pegando uma espumera, eu vi a pureza do surf novamente.

Paz no surf galera!

Wallpaper

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Dunga Neto (foto) fala das mudanças no Nordeste depois da criação da Associação Nordestina de Surf.



Há pouco tempo existiu um êxodo de bons surfistas do Nordeste para a região Sudeste, algo bem parecido com o que acontecia com os trabalhadores da lavoura que migravam para os grandes centros urbanos fugindo da seca nordestina à procura de emprego.



No surf, o motivo foi basicamente o mesmo: a falta de patrocínio e de bons eventos, impedindo os surfistas de sobreviverem na região, salvo algumas exceções.

As intempéries enfrentadas quando isso ocorre são grandes, todavia, maior é a satisfação do atleta quando consegue vencer essas adversidades e conquistar seu lugar ao sol. Poucos conseguiram, mas serão sempre vencedores.



Atualmente, fico feliz em ver que isso acabou, ou, na pior das hipóteses, diminuiu bastante, e alguns surfistas nordestinosque ainda estão morando no Sul e Sudeste do país cogitam a possibilidade de voltar para casa, e se não o fazem é porque construíram família e estão estabilizados na região em que vivem.



Não pensem vocês que isso acontece porque no Nordeste está sobrando patrocínio, onda, campeonatos, etc, mas a realidade aqui é tão difícil quanto nos outros centros do pais. É só observarmos quantos atletas no Brasil estão sem patrocínio.



Ao meu ver, a criação do circuito nordestino foi o grande diferencial e o divisor de águas para que os surfistas nordestinos permanecessem na região e, consequentemente, ficassem mais próximos de casa, da família, sendo felizes na região de origem.

que ainda estão morando no Sul e Sudeste do país cogitam a possibilidade de voltar para casa, e se não o fazem é porque construíram família e estão estabilizados na região em que vivem.



Não pensem vocês que isso acontece porque no Nordeste está sobrando patrocínio, onda, campeonatos, etc, mas a realidade aqui é tão difícil quanto nos outros centros do pais. É só observarmos quantos atletas no Brasil estão sem patrocínio.



Ao meu ver, a criação do circuito nordestino foi o grande diferencial e o divisor de águas para que os surfistas nordestinos permanecessem na região e, consequentemente, ficassem mais próximos de casa, da família, sendo felizes na região de origem.




segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

WAVETOON

Wavetoon – é uma criação dos amigos Torrano e George. O surf sempre é o tema principal. Esta dupla a tempos mostra talento na sua arte. O Uruguay é a nova meta da Wavetoon.  Muitos personagens, belos desenhos, belas gatas , muitos picos e “buenas olas” sempre. A melhor “surf stories” do mundo. Uma ilha de muitas praias e muito surf.
Confira:

http://wavetoon.blogspot.com/



domingo, 14 de fevereiro de 2010

Shaper Bocão - O visionário das quads



Na primeira matéria da série a respeito das quilhas (Evolução passa pelas quilhas), acabei não mencionando uma certa polêmica em torno da autoria da criação das quatro quilhas. Na sequência, tive a honra de receber um e-mail do Ricardo Bocão, esclarecendo toda a história.

O fato é que a primeira quatro quilhas da história foi shapeada e laminada na oficina Brazilian Dreams, onde Ítalo Marcelo (Capacete) também shapeava, em julho de 1981, apenas três meses depois de Simon Anderson chocar o mundo com a sua triquilha em Bells.

Pela ênfase e coerência cronológica de suas palavras, não tenho dúvidas quanto à veracidade dos fatos narrados. Por falta de acesso a informações tão detalhadas, fiquei mesmo devendo uma para o Bocão, e espero que esta matéria possa reduzir meu débito com ele.

Mas é com enorme satisfação que avalizo a grande contribuição de um dos maiores ícones do surf brasileiro no escasso rol de ideias e invenções que causaram algum impacto na evolução das pranchas dentro da história do surf, e que, no caso das quad, ainda deverão causar muito mais impacto, nos próximos anos.

E nada como ter a história narrada pelo verdadeiro criador da invenção. Com a palavra a seguir, Ricardo Bocão.

“No momento exato em que eu tive a ideia, estava ao lado do Rosaldo Cavalcanti, um dos jovens surfistas que faziam parte de minha equipe na época, e hoje um jornalista respeitado que nunca se furtou de testemunhar o que ele escutou da minha boca e viu naquele dia, na calçada no meio da Barra.

Antenado, como sempre foi desde moleque, Rosaldo queria uma três quilhas e soube que o Valdir tinha chegado da Austrália / Bali com uma. Ele ligou para o Valdir pedindo a prancha emprestada para levarmos à oficina.

Isso aconteceu apenas três meses depois do Simon exibir ao mundo a sua invenção vencendo em Bells Beach, Austrália, com 15 pés de onda. Pegamos a prancha e antes de ir para a oficina na Barra, resolvi ir surfar com a três quilhas do Valdir para tentar sentir alguma coisa dentro d’água e poder fazer o melhor possível para o Rosaldo.

Levei a minha biquilha também. O mar estava meio ruim, mas deu para surfar. Enquanto o Rosaldo surfava com a biquilha dele, eu alternei, usando uma meia hora a minha biquilha e uma meia hora a triquilha McCoy do Valdir.

Na verdade, achei a triquilha do McCoy uma m... Fundo meio reto, na área da rabeta totalmente reto, sem Vbottom, nem concave, as bordas muito “box / quadradas” e duras e uma rabeta squash meio larguinha.

Mas o Rosaldo queria uma igualzinha. Quando saí da água, coloquei as duas pranchas na calçada de terra batida, com o fundo para cima, os bicos apontados para mim e me afastei para ver e comparar o posicionamento das quilhas. Olhei para uma, olhei para outra e de repente, quando olhei novamente a biquilha, me veio a visão exata de duas outras quilhas atrás das quilhas grandes, um pouco mais para dentro e na mesma angulação, totalmente paralelas.

Foi exatamente assim que aconteceu. Com o Rosaldo ao meu lado e o susto da ideia, falei: “caramba, Rosaldo, tive uma ideia”. Nem bem terminei de falar e ele retrucou: “Aí, não vem não Boca, você vai fazer a minha prancha como eu tô pedindo, hein...”.

Em novembro de 81, Glen Winton chegava ao Hawaii com um quiver triquilha para ondas pequenas e outro quiver singlefin para ondas médias e grandes. Eu cheguei no mesmo mês de novembro (apenas quatro meses depois de ter criado a quatro quilhas) para competir no Pro Class Trials em Sunset e no Pipeline Masters com um quiver exclusivamente de quatro quilhas: uma 5’8”, uma 6’8” e uma 7’4”!

Tenho fotos do Gordinho comigo chegando com as pranchas ainda sem lixar as quilhas nas areias de Sunset Beach, surfando e competindo nessa temporada havaiana exclusivamente com quatro quilhas.

Todo mundo me zoou no gramado da casa do fotógrafo Bernie Baker, que organizava o Pro Class Trials e onde todos ficavam durante o campeonato: Randy Rarick, Shaun Tomson. Eles zoaram, mas não se esqueceram. Quando o Shaun veio aqui no ano passado para divulgar o “Bustin Down the Door”, demos risadas lembrando que ele tinha me dito (quando viu as quatro quilhas):

“Porque você não coloca umas quilhas no bico da prancha também?” me zoando. O Aaron Chang fotografou os meus modelos nesse mesmo gramado e uma foto foi publicada na Surfing (com a 7’4” doublewingpin), edição de Julho’82 (que saiu em março de 82), eu no meio de outros dois modelos “malucos” de quilhas na pequena matéria “zoando forte” os três modelos.

Por dois anos inteiros (de julho de 81 até julho de 83), viajei para os campeonatos da ASP na Califórnia, África do Sul, Brasil, Hawaii, etc... exclusivamente com pranchas quatro quilhas sem ver ninguém, nem mesmo o Glen Winton com uma quatro quilhas sequer!

Dois anos! Ele (o Glen Winton) competiu na minha bateria no Pipe Masters de 1982 (no meu segundo inverno havaiano só com quatro quilhas) – tenho foto do Gordinho no briefing do “beach Marshall” antes de entrar na água (éramos seis competidores), eu com uma 6’10” quatro quilhas e ele com uma 7’2” single fin azul (tenho também no Woohoo cenas dessa bateria em 16mm filmadas pelo Curt Mastalka).

Então a possibilidade de que o Glen possa ter desenvolvido a quatro quilhas na mesma época que eu, ele lá na Austrália e eu aqui no Brasil, em meu ponto de vista é pura “balela”, de boa parte da comunidade internacional, criada dois anos depois, quando as quatro quilhas viraram febre no verão de 83 nos EUA.

Uma febre curta, que durou apenas uns oito meses (como me contou o Horácio Seixas pelo telefone dos EUA depois de ter laminado 450 pranchas quatro quilhas na Califórnia), mas foi intensa.

Ora, supondo que o Glen tivesse realmente criado a quatro quilhas antes ou na mesma época que eu, pergunto:

1. Porque, entre abril de 81 (quando Simon venceu o Bells com a três quilhas) e novembro de 81 (quando eu apareci no Hawaii com três pranchas quatro quilhas), não se ouviu falar nada do Glen com a quatro quilhas e não existe registro de nenhuma foto em revista ou nenhum outro lugar dele com uma prancha quatro quilhas?

2. Porque naquela primeira temporada havaiana 81 / 82, todos os competidores, inclusive o Glen Winton, estavam com guns singlefin? Os competidores (todos, de Mark Richards a Shaun Tomson, passando por Tom Carrol e cia) ainda não tinham assimilado a triquilha para as suas guns.

Apenas o Simon Anderson e seu pupilo Mike Newling (um escocês que morava na Austrália) tinham guns triquilha e eram a sensação em termos de design na chegada ao Hawaii naquele inverno. Além deles, em termos de design diferente, eu estava com três pranchas quatro quilhas e era motivo de chacota e zoações e o Cheyne Horan começava a tentar misturar aqueles modelos excêntricos de pranchas largas, grossas e “needle nose” do McCoy às suas guns.

Porque o Glen Winton não apareceu com uma quatro quilhas no Hawaii, o melhor lugar para testar e divulgar a criação do modelo?

3. Porque o Glen Winton não foi fotografado pelo Aaron Chang (staff photographer da revista Surfing) com um modelo quatro quilhas, naquela primeira temporada havaiana, mesmo que fosse para zoar? (Resposta: porque ele não tinha nenhuma quatro quilhas no seu quiver)

4. Porque o Glen Winton, depois dessa temporada no Hawaii 81 / 82, não apareceu nos campeonatos do Tour de 82 e primeiro semestre de 83, com uma quatro quilhas? Sabe quem deu a primeira visibilidade concreta, sem zoação, para as quatro quilhas no exterior? Foi o Joey Buran e o Willy Morris juntos numa foto de página inteira, de julho de 83, na Surfing ou na Surfer, posando cada um com uma quatro quilhas, idênticas ao modelo criado por mim (mesmo outline e mesma profundidade das quilhas de trás, posicionamento das quilhas de trás em relação às quilhas da frente e em relação às distâncias das bordas).

Idênticas! E sabe por que eu escrevo com tanta propriedade? Porque tenho, como te falei, vários slides (uns 30) com as quatro quilhas no Hawaii em 81 e de novo na temporada havaiana de 82 / 83 oito meses antes de ser publicada a primeira foto do Joey e do Willy Morris. Tenho também fotos no OP Pro em Huntington de 82 com uma quatro quilhas e janela de acrílico, na África do Sul, etc.... Ainda, porque não foi o Glen o primeiro a aparecer numa revista de surf em destaque com as quatro quilhas? Estranho, não é?

5. Por último, a informação de que o Glen quase venceu um título mundial com as quatro quilhas deve ser revista, porque na etapa de Biarritz, que ele ganhou do Potter na final, Glen estava de triquilha. O Pipe Masters que ele se destacou foi em cima de uma gun normal triquilha azul / roxa.

Nunca o vi competindo regularmente com a quatro quilhas e nessa época eu estava no circuito direto.

Mas imagine você tendo uma criação sua zoada durante dois anos inteiros por quase todo mundo, no Brasil e no exterior, com você investindo toda a sua grana para viajar e competir no máximo de eventos do Tour (umas quatro viagens por ano), sendo zoado pelos estrangeiros de A a Z e ver depois a sua criação aparecer nas revistas de surf, nas mãos de dois americanos, sem menção nenhuma à você.

Depois disso, ler histórias que o Glen Winton foi um dos primeiros a usar, que o Glen Minami foi um dos primeiros também com a tal das “Twinzers” nos pés do Martin Potter. E depois de uns 20 anos (2005), ver novamente o modelo começando a ser usado naquelas “fishs” da Lost com a molecada dando aéreos em Trestles e em toda a Califórnia, o modelo começar a fazer parte dos mais variados modelos dos shapers que finalmente abandonaram a ditadura das pranchas estreitas e finas, um dos Hobgoods vencer um evento na Califa falando maravilhas do modelo (que o shaper tentou se apropriar colocando uma rabeta “estrela”, como se o conjunto é que tivesse dado certo), ver o modelo começando a ser usado em várias pranchas de tow in em ondas gigantes pelo mundo (quer melhor prova que o modelo tem o seu espaço do que isso?), até chegar ao fato inusitado (isso nem eu imaginei) de o modelo ser usado em algumas guns de Waimea, agora no Eddie Aikau!

E você “chupando o dedo”, vendo tudo isso acontecer sem nenhum reconhecimento da mídia especializada no exterior e nem mesmo no Brasil, o seu país!

Sabe qual é o resultado concreto do desinteresse dos veículos de informação a respeito da figura do criador das quatro quilhas? É o Sylvio Mancusi escrevendo no Waves um texto sobre o assunto e colocando o Glen Minami (risível!) como um dos pioneiros das quatro quilhas e ainda discutindo comigo por e-mail, duvidando da minha história e ainda tentando trazer o Cheyne Horan para o centro da discussão, ao invés de assumir a ausência de uma pesquisa dele sobre o assunto com pessoas da época (81 / 83) em que ele ainda não tinha ideia do que estava acontecendo no surf.

O resultado concreto também é o seu esquecimento (não estou “apontando” o dedo não, numa boa) ou até a sua dúvida quanto ao fato de eu ter criado a quatro quilhas. E isso, dentro da “grande mídia especializada”, tem sido uma constante! Ao invés de irem a fundo à história para descobrir quem foi que inventou e divulgou lá atrás em 81 / 83, preferem dizer que foi o Glen Winton e pronto. Mais adequado aos australianos e aos da língua inglesa pelo mundo".


A evolução passa pelas quilhas


O ato de deslizar sobre as ondas em uma prancha de madeira teve origem no Oeste da Polinésia há cerca de três mil anos. As pranchas não possuíam quilhas e a única forma de direcioná-las era esticar os pés e mergulhá-los na água.

Mas os antigos havaianos não se preocupavam com manobras, bastava a satisfação de se manter em pé na prancha em linha reta, enquanto as ondas os levavam até a praia.

Em 1934, Tom Blake, criador das pranchas ocas entre vários outros inventos, buscando encontrar uma forma de melhor controlar a direção de sua prancha, instalou nela um estabilizador, com base larga (12 polegadas) e pouca profundidade (4 polegadas), que se tornou o primeiro conceito de quilha: Nascia a Single Fin.

O design das quilhas evoluiu desde então para as formas atuais, por meio de shapers muito influentes em suas épocas como Bob Simmons, George Greenough e Bob Mc Tavish, responsável pela introdução das quilhas em pranchas menores e mais leves, feitas em fibra de vidro, que então chegavam ao mercado.

Foram décadas de hegemonia das monoquilhas (single fin) até que, no início dos anos 70, o shaper californiano Steve Liz lançou as revolucionárias Fish, com suas twin fins, design que se tornou muito popular na época.

Anos depois, o surfista e shaper australiano Mark Richards fez alguns ajustes no design da Fish e, com suas biquilhas (twin fins), venceu quatro títulos mundiais consecutivos (1979 a 1982), mudando para sempre a direção do surf moderno.

Em 1980, o também surfista e shaper australiano Simon Anderson venceu duas etapas seguidas do circuito mundial com um modelo de prancha totalmente diferente, que possuía três quilhas de tamanho igual.

Eram as primeiras “Thrusters”, que permitiam uma linha de surf mais radical e jogavam mais água nas manobras, mudando os rumos do surf moderno e que predominam no mercado até os dias de hoje.

Mas não podemos deixar de mencionar as populares Bonzer, design original das tri fins, criadas pelos irmos Campbell em 1970 - uma single fin com dois (ou quatro) estabilizadores laterais.

Também no início dos anos 80, o surfista e shaper australiano Glenn Winton (Mr. X), quase conquistou o título mundial com um novo design: eram as four fins (quad) que, depois de anos de ausência no mercado em função da hegemonia das triquilhas, estão retornando ano a ano, cada vez com mais solidez.

Prova disso é a popularização do sistema tri-quad, que permite a prancha funcionar como thruster ou quad, de acordo com a conveniência do surfista. Os shapers precursores do novo sistema são o australiano Bruce McKee e o próprio Glenn Winton, que acaba de lançar a STEG, um novo modelo de prancha, desta vez com seis quilhas, recentemente testado por Jordy Smith que pode ser conferido no vídeo Jordy Smith on 6 fin surfboard.

Na época das single fins havia as caixas de quilha, que permitiam posicionar a quilha mais para frente ou para trás, de acordo com o estilo de surf, tipo e tamanho das ondas.

Já nas últimas décadas, muitos sistemas de quilhas de encaixe têm sido lançados no mercado, que permitem todo tipo de ajustes e com inúmeros modelos assinados pelos melhores shapers e testados por grandes surfistas, destacando-se o pioneiro sistema FCS, que continua sendo o mais utilizado em todo o mundo.

Novos materiais vem sendo utilizados, como o coremate foam – que torna as quilhas mais leves – além do carbono e o composite. Estes materiais têm sido combinados entre si e também com a fibra de vidro, na busca por maior impulsão (projeção) e consequentemente, velocidade.

Mas a tradicional fibra de que continua a ser considerada o material com melhor padrão de flexibilidade para o surf de alta performance. Prova disso, é o fato das quilhas fixas (glass on) ainda serem preferência entre os atletas que correm o World Tour.

Em termos de funcionamento, uma single fin proporciona manobras maior aderência, porém a prancha necessita usar mais espaço para as manobras. Atualmente é usada em longboards, e alguns modelos da linha Fun, proporcionando manobras clássicas e “nose riding” mais prolongado, em função da maior profundidade da quilha, que garante o drive e evita desgarrar a rabeta.

Já uma twin fin é mais comumente encontrada em modelos Retrô (old school) para ondas pequenas. Proporciona maior agilidade na troca de bordas, possui porém, menos drive (direção), ocasionando manobras menos potentes (joga menos água). Não tem boa capacidade de pivot, ficando com drive insuficiente para ondas maiores e mais fortes.

A triquilha ainda é o sistema usado na grande maioria das pranchas produzidas em todo o mundo. Proporciona maior direção e velocidade, garante maior inversão da direção da prancha e joga mais água nas manobras. É solta e segura ao mesmo tempo, tanto em ondas menores, quanto maiores. Realmente não é por acaso que continua a prevalecer no mercado depois de quase 30 anos de seu lançamento.

A quad tem se revelado uma ótima opção para alta performance. Ela passa as sessões cheias da onda com maior facilidade e poucos movimentos, proporcionando uma linha de surf mais limpa, como pede o surf moderno.

Em ondas bem fracas também é uma excelente opção pelo mesmo motivo. Em ondas ocas e rápidas também conta com excelente performance, passando as sessões com segurança e velocidade. Tem sido testada por inúmeros shapers e seu potencial de desenvolvimento é considerado muito grande. A opção tri-quad é bastante interessante e vem ganhando mercado porque torna a prancha realmente mais versátil.

Henry Lelot trabalha profissionalmente na área há mais de 15 anos e é considerado um dos maiores shapers do Brasil. Para obter mais informações sobre seu trabalho, acesse o site HLelot.

Continua...

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Rivais apenas na água: Paige Hareb e Bruna Schmitz treinam juntas na Gold Coast. Foto: Jake White / Surfing Austrália.



Algumas atletas da elite do World Tour chegaram cedo à Austrália e se preparam para a disputa do Roxy Pro, etapa de abertura do mundial da ASP que acontece entre os dias 27 de fevereiro e 10 de março.

A brasileira Bruna Schmitz e a neozelandesa Paige Hareb, ambas com 19 anos, são dois exemplos e já treinam forte no extremo Sul da Gold Coast, local onde o evento será realizado.

As duas estrearam no Tour no ano passado e foi na etapa de abertura onde conquistaram o melhor resultado da temporada.

Agora, mais experientes, elas sabem da dificuldade que será vencer a tricampeã mundial Stephanie Gilmore, defensora do título e que compete em casa na Gold Coast.

"Vai ser muito difícil de vencer. Aqui é a casa dela, o que vai deixá-la mais confiante. Mas estou ansiosa para competir com a Stephanie e ter outra chance de tentar vencê-la", afirma Hareb, eliminada por Gilmore nas semifinais do último Roxy Pro.

"É meu segundo ano no Tour, os nervos não estão mais tão ruins. Há algumas caras novas como Carissa Moore. Certamente este será um campeonato muito emocionante, com excelente nível de surf”, prevê Hareb, que terminou o ranking de 2009 na oitava colocação.

A brasileira Bruna Schmitz também obteve o seu melhor resultado no Tour na etapa de abertura do ano passado. Bruninha, que terminou o ano como número 14 do mundo, foi eliminada nas quartas-de-final pela própria Hareb.

Recentemente, Brooke Farris, manager do Tour Mundial Feminino, afirmou que esta temporada tem tudo para ser a melhor de todos os tempos.

As apostas nunca foram tão altas com quatro das cinco estreantes do ano passado reclassificadas para 2010 e com a entrada da revelação havaiana Carissa Moore, que saiu das triagens para vencer a etapa de Sunset Beach, no Hawaii.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Poluição dos oceanos (medidas são inúteis)


Em matéria publicada no dia 4 deste mês, o site da revista alemã Der Spiegel – uma das mais importantes da Europa – informa que obteve acesso a um relatório confidencial do governo alemão referente aos esforços da União Européia e das Nações Unidas para deter a poluição dos oceanos.

De acordo com o Spiegel Online, o documento afirma que as ações falharam completamente e de maneira categórica, ressalta que o resultado das iniciativas é inexpressivo.

Ou seja, mesmo com todos os esforços da Convenção Marpol, nossos oceanos transformaram-se num enorme lixão.

Criada em 1973 pela ONU, a Convenção Marpol tem como objetivo a prevenção da poluição do meio ambiente marinho por despejo de lixo.

Entre normas e regras desenvolvidas e implantadas nos trinta e sete anos de existência, proíbe qualquer embarcação de despejar resíduos no mar enquanto estiver parada num porto.

Mas na prática, afirma o documento, todos os acordos e convenções são sistematicamente desrespeitados e os índices que medem o nível de resíduos nos oceanos continuam preocupantes.

Um bom exemplo é o mar do Norte (Atlântico Norte). Desde 1988, uma legislação rigorosa proíbe o despejo de lixo no oceano pelas embarcações que por ali passam. Entretanto, os índices que medem a quantidade de resíduos na água permanecem inalterados.

Não é novidade o fato da União Européia preocupar-se com o lixo despejado nos oceanos e é exatamente esta a imagem que busca passar para o mundo. Em julho de 2008, anunciou uma diretriz que buscava garantir ”boas condições” aos mares europeus até 2020.

Mas na semana passada, em nota oficial, a Comissão Européia informou a necessidade de estabelecer “uma agência dedicada (…) para atacar os problemas subjacentes da má implementação e execução da legislação européia sobre lixo.”

Ou seja, mesmo depois do governo alemão minimizar o fato publicamente e negar maiores detalhes do documento à imprensa, fica claro que as iniciativas foram insuficientes e que a alta cúpula da UE ainda busca soluções mais eficientes para o caso.

Os autores do documento confidencial do governo alemão desacreditam do sucesso nas ações da UE. Segundo os especialistas que o produziram, o caminho deve ser alterado ou será impossível deter a poluição dos oceanos.

Será necessário, à princípio, deixar de lado novos acordos. Antes de qualquer coisa, é imprescindível analisar a praticabilidade da legislação e das normas impostas.

“As poucas oportunidades de descarte nos portos, as altas taxas e a logística complicada frustram os esforços”, explica Onno Gross, presidente da Deppwave - entidade de defesa do meio ambiente marinho com sede na Alemanha.

Em contra-partida, o movimento ambiental mundial admite que um trabalho emergencial para deter a poluição dos oceanos é fundamental e as ações não devem cessar.

Afinal, alerta o documento confidencial, trata-se de um ”problema ecológico e econômico“ que trará ”efeitos negativos e custos altíssimos“ à toda sociedade.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010




O esperado swell chegou com tudo na Cacimba do Padre e proporcionou um verdadeiro espetáculo na abertura do Pena Pro Noronha, primeira etapa do circuito nordestino profissional 2010.


Em condições desafiadoras de até 4 metros, foram disputadas as 24 baterias da primeira fase e os quatro confrontos iniciais da prova, que distribui R$ 30 mil em prêmios.As maiores notas do dia foram obtidas pelo potiguar Danilo Costa, o niteroiense Bruno Santos e o paulista Saulo Júnior, que passaram por dentro dos insanos canudos com muita ousadia.


Cacimba do Padre proporciona momentos épicos. Foto: Aleko Stergiou.
Com 9.17 pontos na segunda fase, Danilo e Saulinho comandam a briga pelo prêmio de R$ 2 mil oferecido ao autor da melhor nota da competição.

As surpresas anunciadas pela Pena não pararam por aí. Também será distribuído um cheque de R$ 3 mil ao atleta que registrar o maior somatório no Pena Pro Noronha.

Com os 14.50 pontos obtidos na última bateria do dia, Danilo Costa também está na frente na briga por esse prêmio.

O dia épico foi finalizado com um verdadeiro show do potiguar, que deixou em segundo o inspirado catarinense Tomas Hermes, um dos destaques desta terça-feira.

Ao término da temporada, o atleta que tiver o melhor desempenho nas três etapas promovidas pela Pena no ANS Pro Tour fatura uma passagem para o Hawaii. Além de patrocinar a competição em Noronha, a marca cearense promove etapas em Itacaré (BA) e Várzea do Una (PE).

Muitas pranchas partidas ao meio, performances de alto nível e perrengues na água marcaram o primeiro dia da etapa na Cacimba do Padre. A expectativa é a de que as ondas aumentem ainda mais nesta quarta-feira, chegando aos 5 metros de altura.











segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sorte Lançada no Sombrero


A janela de espera do Todos Santos Big Wave Event, prova que reúne alguns dos melhores big riders do mundo, começou na última segunda-feira (1/2) e vai até o próximo dia 28 de fevereiro em Todos os Santos, México.
O lendário shaper californiano Garry Linden é o diretor da prova e durante a abertura oficial do período de espera sorteou as baterias em um autêntico sombreiro mexicano.
Ao todo 24 surfistas lutam pelo título, entre eles: os americanos Greg Long, Kelly Slater e Peter Mel, o sul-africano Grant “Twiggy” Baker e o havaiano Garrett McNamara.
O Brasil também estará muito bem representado no México. O pernambucano Carlos Burle e o baiano Danilo Couto são presenças certas no torneio.
Localizada a cerca de 20 quilômetros da enseada Norte de Baja Califórnia, a baía de Todos os Sants fica situada entre duas ilhas no Oceano Pacífico. A única construção no local é um farol de orientação para embarcações, que vigia uma das ondas mais famosas do planeta.
Para obter mais informações sobre o evento, acesse o site Todos Santos Event.

Todos Santos Big Wave Event 2010

Bateria 1

Oscar Moncada (Mex)
Carlos Burle (Bra)
Nathan Fletcher (EUA)
Adrew Marr (Afr)
Greg Long (EUA)
Taylor Knox (EUA)

Bateria 2

Dave Wassel (Haw)
Grant "Twiggy" Baker (Afr)
Chris Bertish (Afr)
Gabriel Villaran (Per)
Kelly Slater (EUA)
Mark Healey (Haw)

Bateria 3

Coco Nogales (Mex)
Ryan Seelbach (EUA)
Evan Slater (EUA)
Garret McNamara (Haw)
Mike Parsons (EUA)
Jamie Sterling (Haw)

Bateria 4

Shane Dorian (Haw)
Rusty Long (EUA)
Peter Mel (EUA)
Danilo Couto (Bra)
Ramon Navarro (Chi)
David Rutherford (Mex)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Surf- WCT 2010 é confirmado na Praia da Vila



Imbituba está confirmada pelo quarto ano consecutivo como sede da etapa do circuito mundial de surfe.

O evento será realizado em uma nova data, de 21 de abril a 02 de maio de 2010, a terceira prova do ano. Com isso, daqui a cinco meses, os melhores surfistas do mundo irão invadir a praia da Vila. A confirmação foi feita por Xandi Fontes, detentor da licença.
A expectativa
para um campeonato com boas ondas é grande, afinal, essa mudança no calendário favoreceu a cidade, o outono é seguido de ondas de qualidade e água quente, o que propicia um clima totalmente favorável ao evento.

Há ainda, outros favorecimentos, um em relação ao meio ambiente e outro , aos pescadores, tendo em vista que a data do evento não coincide com o período de pesca da tainha e também não confronta com o período da visita das baleias francas.

História do Surf em Ubatuba




O empresário Paulo Issa, 47, e seu irmão Ricardo Issa, 44, Foram um dos pioneiros na prática do Surf em Ubatuba, em 67.Com 16 anos, Paulo pegava ondas com uma prancha de madeirite (compensado de madeira), em São vicente-SP. Aos 17 anos, trouxe a primeira prancha para a atual capital do Surf. "Eu era menor de idade e não tinha carteira de motorista, minha prancha teve que vir por uma transportadora; a jogamos na água, na Praia da Enseada, só para brincar. Minha família tinha casa lá", afirma.
Em 68, aos 18 anos e já com habilitação nas mãos, Paulo e Ricardo Issa decidiram enfrentar a então temida Praia Grande. "O acesso era difícil. Na época, a mata encobria toda a beira da praia; não era possível ver o mar. É inacreditável como a Praia Grande mudou, era tão brava que os caiçaras tinham medo de freqüenta-la. Acredito que com o desmatamento, o mar ficou mais calmo. As características da Praia Grande se transformaram radicalmente", diz Paulo.A Praia do Itamambuca, hoje palco dos principais mundiais de Surf, foi "descoberta"no verão de 1968, quando uma turma de aventureiros resolveu conhecer novos points para Surfar. Enfrentaram a tortuosa estrada velha, que liga o bairro da Casanga a Praia de Itamambuca. "Quando chegamos, ficamos impressionados com o tamanho das ondas, eram enormes", lembra Paulo.
Outro grande fera da história do Surf em Ubatuba é o engenheiro Fábio Madueño, 44. Veio para Ubatuba em 68 e já pegava ondas. Começou em 1967, com 15 anos, no Guarujá. Madueño e os amigos Lívio e Olávo tiveram a idéia de alugar pranchas na Praia do Tenório. "chegavam a pesar 20 quilos e possuíam até 3 metros de comprimento. Eram pranchões, tipo long board", fala Madueño.Segundo Issa, em 1970, a moçada que praticava o Surf fez um campeonatinho. "Era só para Brincarmos um pouco". Da simples brincadeira, surgiram os grandes campeonatos de Surf, realizados em Ubatuba. Em 71 com o intuito de dar continuidade à brincadeira, Paulo resolveu promover outro campeonato na Praia Grande. Desta vez fez uma pequena propaganda, que garantiu o sucesso da então ingênua diversão: espalhou cartolinas - "Campeonato de Surf em Ubatuba" - pelo centro do Guarujá. "Foi uma tremenda surpresa, veio muita gente, até caravanas", se exalta. Já em 1972, Paulo fundou a Associação de Surf de Ubatuba - ASU - e realizou o primeiro Festival Brasileiro de Surf, disputado até 1987."Nos primeiros eventos, os surfistas acampavam na Praia Grande. Dividiam-se em turmas, cada um na sua área. Causavam certo impacto à população de Ubatuba; geralmente eram loiros, cabeludos e criadores de moda, gíria, comportamento", afirma Issa.Da necessidade de possuir uma associação de Surf local, em 1979 foi criada a AUS - Associação Ubatuba de Surf. Os fundadores são: Alberto Jacob; Liberal; Augusto; Nené; Pedrão; Pedro Paulo T. Pinto e Jeffo. Em 1988, a AUS promoveu o Sundek Classic, considerado um dos grandes acontecimentos do Surf mundial. O Sea Club brasileiro foi promovido em 1989 e 90 por Paulo Issa.Hoje o Surf faz parte da vida da cidade e possui raízes profundas em Ubatuba, que a cada dia revela grandes nomes internacionalmente conhecidos, como Ricardo Toledo, Bi campeão brasileiro profissional; Tadeu Pereira, campeão Paulista profissional 99, surfista que integrou a elite mundial do WCT; Odirley Coutinho, campeão Billabong Pro Jr 99; Renato Galvão, campeão Paulista iniciante e mirim; Narciso Oliveira, campeão Paulista profissional; Edgar Bischof, campeão brasileiro iniciante; além de Isaias Silva e dos novos talentos como Edgley Santos,atual líder do brasileiro mirim;Saulo Jr.,líder do Paulista Junior e Pierre Romann,líder do Paulista estreante.



O Brasil é a terra do futebol e Ubatuba é a capital do Surf.

Melhores picos em Floripa


Florianópolis é um dos locais mais privilegiados à prática do surf, pois recebe ondas dos dois principais quadrantes, que é sul e leste. Por isso, é possível surfar todos os dias, obtendo ondas de 3 a 5 pés (um metro a um metro e meio), independente da estação do momento. Além disso, nos melhores dias a Ilha de Santa Catarina quebra ondas de até 10 pés em determinadas praias. Mas o mar de Floripa não está só para os "experts". As praias da Barra da Lagoa, Ingleses e Armação em dias de ondulação de leste e vento sul são ideais para quem está iniciando.
No norte da Ilha existem três praias indicadas para a prática de surf: Brava, Ingleses e Santinho. A Brava possui fundo total de areia (beach break), quebrando ondas com boa formação de 1 a 8 pés, ou seja, de meio metro a dois metros e meio, com boa formação para ambos os lados ( direito e esquerdo). As ondulações são de leste e sul e proporcionam boas condições. Os ventos terral, que são os ventos que proporcionam a qualidade na onda, vão de noroeste a sudoeste. Já os Ingleses, é uma praia com características do tipo baía, o que prejudica muito a entrada de ondas na praia. Portanto, só o canto norte da praia, junto ao costão, à esquerda, oferece boa condição para a prática do surf, assim mesmo, bem limitada. As ondas lá, variam de 1 a 6 pés, ou seja, é um beach break. O swell (tempestade em alto mar - ondulação) é de leste; o terral é de sul, sudoeste e oeste.
Quanto à praia do Santinho, é considerada pelos surfistas a melhor praia do norte da Ilha de Santa Catarina. Com ondas que variam de 1 a 8 pés nos dias grandes, recebe ondulação dos dois quadrantes, de sul e de leste. A formação das ondas são muito boas prá esquerda e direita; a qualidade também é quase idêntica, com ventos terrais na praia de norte a sudoeste.
No leste da Ilha temos a praia do Moçambique. Com 12,5 km de extensão totalmente surfáveis, recebe também ondulação dos dois principais quadrantes: leste e sul, quebrando ondas que variam de 1 a 10 pés - 3 metros, nos dias maiores. É uma praia com fundo bom e que segura grandes ondulações. Os terrais também vão de norte a sudoeste. É considerada o refúgio dos surfistas que fogem do crowd.
A praia da Galheta, também ao leste, é ideal para quem gosta de pegar bons tubos. Com características de ondas muito perfeitas e tubulares, variam de 1 a 10 pés. Os ventos terrais também vão do quadrante norte a sudoeste e as ondulações, o swell, entra dos dois quadrantes, sul e leste. Vizinha da Galheta é a a praia Mole, um dos principais points da Ilha. Talvez seja a única praia que os surfistas não correm o risco de encontrar o mar flat, ou seja, sem onda. Com ondas que quebram de 1 a 10 pés também, proporciona condições excepcionais em seu canto direito, chegando a 12 pés em dia de mar grande, ondulações de sul forte no inverno. As ondas quebram dos dois lados, direito e esquerdo, com boa formação em ambos, e os ventos terrais são de norte a sudoeste. O swell entra de sul e de leste facilmente. Enfim, é uma praia que tem bastante qualidade, com ondas quebrando dos dois lados, com fundo bom e boa consistência. Já a praia da Joaquina, palco de grandes eventos internacionais, possui ondas perfeitas principalmente em dia de ondulação leste e vento nordeste. O lado esquerdo da praia, atrás da pedra da Careca, junto ao costão, é considerado o Maracanã do surf. O banco de areia segura a ondulação, fazendo com que as ondas quebrem com boa formação, atingindo de 1 a 10 pés facilmente. O meio da praia também proporciona ondas muito boas, de muita qualidade.
No sul da Ilha há 5 praias para praticar um bom surf: Morro das Pedras, Matadeiro, Lagoinha do Leste e Naufragados. A única ondulação que faz o Campeche superar qualquer praia provém do quadrante sul. É uma onda que quebra em frente à Ilha e não tem comparação com nenhuma outra da cidade. Essa característica costuma aparecer no inverno porque, quando esfria muito, é mais fácil ter ondulações do quadrante sul, e a única ondulaçao que dá onda no Campeche é vinda do quadrante sul. O terral pode ser de oeste a sudoeste ou calmaria, que é sem vento. É uma condição difícil de dar na Ilha e quando dá, você encontra centenas de surfistas na água, pois é uma onda muito disputada quando quebra. O meio da praia também proporciona ondas do quadrante leste, embora não possuam muita qualidade.
A praia do Morro das Pedras é outra excelente opção, mas pouco consistente. É necessário ter ondulação de sul prá quebrar perfeita atrás das pedras. Quando o fundo está bom atrás das pedras e a ondulação é de sul é muito fácil pegar "altas ondas" naquela praia, uma onda pesada que varia de 2 a 8 pés nos melhores dias. A ondulação boa é de sul com vento do quadrante sudoeste e oeste. O mar é forte, com muito correnteza e não é indicado para iniciantes. Quanto à praia do Matadeiro, é ideal para quem procura ondas curtas, com boa formação e muita qualidade. Além disso, o Matadeiro também proporciona bons tubos, tanto no meio quanto em frente às pedras. A condição normal vai de 2 a 6 pés, com ondulação de leste e vento terral do quadrante sul. Já a Lagoinha do Leste, uma verdadeira surf trip, pois só dá para ir a pé ou de barco, recebe ondulações fortes do quadrante sul e do quadrante leste, quebrando de 2 a 10 pés também. Os ventos terrais, dependendo do lado da praia podem ser de norte a sudoeste. É um lugar para dar um relax, fazer um surf diferente, regado à muita aventura e tranquilidade.
A praia do Farol de Naufragados é outra, assim como a Lagoinha do Leste, ideal para quem prefere curtir a natureza em toda a sua imensidão. Localizada no extremo sul da Ilha, é uma praia com ondas e correntes muito fortes. Ondas fortes que entram do quadrante sul e o vento terral é nordeste. Quando o mar estiver no quadrante sul, com o vento soprando, nordeste, a praia do Farol dos Naufragados é uma ótima opção. As ondas também quebram por lá de 2 a 8 pés, e a melhor estação para esse local é inverno e outono.
Quanto ao vento e à ondulação
Florianópolis é um dos poucos lugares que tem vento de todos os quadrantes. De acordo com os mais entendidos no assunto, os ventos sul e oeste são ventos das estações frias, outono e inverno, e os ventos dos quadrantes norte, nordeste e leste são os ventos das estações quentes, primavera e verão. O surf não depende do vento, mas da ondulação, do swell. A melhor ondulação para a Ilha é de leste, que trás as ondas com melhor qualidade, em estações como primavera e verão.
Fonte: A Origem do Surf