quinta-feira, 16 de junho de 2011

Waves

Delírios da baforada

Por Rodrigo Bueno em 14/06/11 12:05 GMT-03:00

Já viajei a alguns lugares do mundo para surfar: Peru, Califórnia (EUA), Fernando de Noronha (PE) e outros lugares do Brasil. Mas, desde a primeira vez que fui para a Indonésia, fiquei alucinado pelas ondas e pelo astral do pico.

Este ano será a minha terceira temporada. Sempre registrei em vídeo os melhores momentos que o arquipélago oferece, já que palavras são difíceis para descrever o que é estar lá e surfar aquelas ondas.

Tenho uma produtora de filmes chamada EDIT2. Nosso foco é publicidade e moda. Mas como sempre acontece, em casa de ferreiro o espeto é de pau. Assim nossos vídeos sempre ficam por último. Por isso só consegui acabar agora o material que registrei entre agosto e setembro do ano passado.

Registrei imagens de Bali, dessa vez com as ondas de Uluwatu e Padang Padang. Dei muita sorte! Peguei três ondulações seguidas. Uma logo na chegada, pra quebrar o gelo, com ondas maiores de 2 metros. Outra bem grande, maior de 3 metros, e por último uma de 2 metros.

Clique aqui para ver mais vídeos da produtora EDIT2.


domingo, 5 de junho de 2011

Shane Dorian (foto) e Billabong criam roupa de borracha com dispositivo de ar inflável.


Depois de quase se afogar em 2010, o big rider Shane Dorian refletiu se seria capaz de enfrentar ondas de 16 metros novamente.

Agora, com a criação de um novo produto, Dorian ganha mais confiança para domar as maiores ondulações do planeta.

Em conjunto com a Billabong Wetsuits e a Mustang Survival Corporation, o havaiano desenvolveu a primeira roupa de borracha com uma bexiga de ar inflável.

Com um rápido puxão em uma corda, a roupa imediatamente suspende o surfista do fundo à superfície.

O processo revolucionário foi batizado de "Billabong V1". A letra V indica ascensão vertical, enquanto o número 1 sugere a altitude positiva, ou 1 pé acima do nível do mar.

Dorian, revelado em Kona, Hawaii, é considerado um dos melhores surfistas de ondas grandes do mundo e remou em ondas incríveis nos últimos 18 meses.


Em fevereiro de 2010, ele levou uma vaca que ficou marcada em sua vida. O ex-top da elite mundial, atualmente com 38 anos, sofreu em sua primeira session no pico de Maverick's, Sul da Califórnia (EUA).

"Eu dropei a onda errada e levei uma vaca horrível", diz Dorian, pai de dois filhos.

"Foi terrível, ainda levei duas ondas na cabeça e quase me afoguei. Depois disso, tive uma ideia de incorporar uma bexiga de ar, algo como os coletes de avião. Você puxa a presilha e ele infla imediatamente com um cartucho de gás carbônico", conta Dorian.

O atleta enviou um e-mail a Hub Hubbard, gerente de produto da Billabong norte-americana, descrevendo a ideia.

Depois de pesquisar, Hubbard rapidamente levou o assunto à Mustang Survival Corporation, conhecida fabricamente de roupas secas, sistemas de flutuação e outros equipamentos de salvamento marítimo.

Embora a maioria dos produtos do Mustang seja projetada para uso na superfície, eles tiveram experiência na criação de bexigas pesadas ??de poliuretano para o exército dos Estados Unidos e fabricado um novo sistema de bexigas para a Billabong.


"O design da roupa é muito simples, na verdade", diz Hubbard. "Nós adicionamos um grande bolso com zíper na parte de trás do colete para abrigar a bexiga, que está ligada a um compressor de ar e cartucho de gás carbônico encaixados entre os ombros", continua o gerente de produto da Billabong.

"Uma corda que passa por cima do ombro é puxada em direção à parte superior do tórax. Apenas puxe como um paraquedas e suba", explica Hubbard.
 
A primeira vez que Dorian usou o colete foi em Cortes Bank, bancada situada a 160 quilômetros da costa, no Sul da Califórnia.


"As ondas estavam muito grandes e eu remava em uma da série, levava uma vaca pesada e era jogado para o fundo. Pensei que seria o momento certo para testar o equipamento. Puxei o cordão e passei do pânico a uma situação totalmente relaxada. Eu não nadava; apenas deixava o colete me trazer de volta à superfície".
 

A demonstração mais pública do colete Billabong V1 ocorreu em 15 de março deste ano, quando Dorian e um pequeno grupo de surfistas de ondas grandes ondas pegaram um swell monstruoso em Jaws, na ilha de Maui, Hawaii.


Ele pegou uma onda incrível com mais de 17 metros naquele dia, ganhando o Monster Paddle e a categoria Monster Tube do Billabong XXL 2011 Global Big Wave Awards.

Quando Dorian botou pra dentro do maior tubo de todos os tempos e não conseguiu sair, ele foi esmagado pela onda e levado para o fundo, onde implantou o mecanismo de inflação Billabong V1.

O havaiano rapidamente voltou à superfície e subiu novamente em sua prancha, remando para o canal com uma corcunda visível em suas costas.
 
"Em primeiro lugar, projetamos essa coisa para ajudar a salvar vidas", diz Dorian. "Eu tive três ou quatro amigos próximos que morreram afogados surfando em ondas grandes. Agora, estou animado para dar a todos os meus amigos que são os melhores surfistas de ondas grandes do mundo", revela o havaiano.


"Temos um grupo de caras que eu realmente estou perto e todo mundo quer estar lá fora, todo mundo quer pegar ondas enormes e puxar o limite, mas eu quero todos os meus amigos para estar mais seguro. Eu quero que todos eles venham para a minha casa com suas famílias todas as noites e estou animado com este novo avanço", conclui o atleta.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Chegou a super prancha desmontável tabajara...

Como apartamentos e carros estão se tornando cada vez mais compactos, e guardar as pranchas de surf tem sido um problema enfrentado por muitos surfistas, o designer Nicholas Notara decidiu se dedicar para resolver o problema e criou (em 2008) a Prancha de surf desmontável. Ela é feita em fibra de carbono e foi cuidadosamente concebida para manter o equilíbrio e ter o mesmo peso de uma prancha normal.
Com a ajuda de dois pinos e de um engate rápido ela diminui para metade o seu tamanho podendo ser guardada em qualquer canto disponível. Para completar ela possui 5 quilhas removíveis e também uma peça que que muda a rabeta da bóia high-tech em segundos.
Para quem gosta de design como eu, achei esta prancha irada sem pensar muito na sua funcionalidade e preço.
Acho interessante essa tecnologia se aplicada em longboards e paddleboards...




sexta-feira, 25 de março de 2011

Alex Ribeiro não perdoa
Por  Ricardo Martines em 25/03/11 00:30 GMT-03:00

O paulista Alex Ribeiro continua treinando forte de olho nas etapas do WQS 2011 e o Peru é um de seus destinos preferidos.

No último mês de janeiro, Alex desembarcou mais uma vez em Lobitos em busca de um swell clássico que aparecia nos mapas de previsão.

Com imagens de Neto Neves e produzido pelo videomaker Rodrigo Metrinho, o vídeo exibe a alta performance do atleta e o ambiente da costa Norte peruana, onde rolam algumas das melhores esquerdas do planeta.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A espera

Lembro de muitas noites mal dormidas à espera de um dia de surf. O surf desenhado nos dedos em qualquer superfície curva da cama, olho na janela para ver pelas nuvens se a direção do vento mudou e, no altar, a prancha pronta para o casamento com o mar.

Sempre que passo por uma situação dessas – acreditem, eu ainda desenho involuntariamente cutbacks com os dedos – penso nas campanhas publicitárias, vídeos e viagens vendidas graças à ideia de que o que dá sentido ao surf é a busca, a busca pela onda perfeita. Não discordo (e acho o conceito genial), mas emendo: um surfista mortal espera muito mais que busca.


Espera o trabalho acabar, espera o fim de semana chegar, espera a mulher concordar, espera a filha brincar, espera o vento virar, espera o swell entrar, espera a onda chegar.


Quando penso na ansiedade da espera, vem à cabeça dois extremos: o surfista amador que mora longe da praia e só vê o horizonte se deformar pelas ondas do mar nas folgas e o super surfista que, uma vez convidado a participar do Eddie Aikau, em Waimea, se contorce durante toda a temporada sem saber se o evento mais importante de sua vida será realizado.


Entre meus amigos, estão vários órfãos de maresia que sofrem durante a semana na selva de pedra, mas só conheço um herói brasileiro na lista titular dos eleitos para o Eddie Aikau.


Carlos Burle é um surfista especial. Não falo da inquestionável habilidade em ondas grandes, reconhecida pelos melhores do mundo. A diferença do cara está na cabeça. Burle é um sujeito com inteligência fora da curva: entende a onda, calcula os riscos, mantém a calma.


Ele é um modelo de surfista que eu apostaria ser capaz de preservar a serenidade à espera de um evento que, por várias temporadas, simplesmente não aconteceu. Estaria em paz mesmo sabendo que a lista deste ano não é a mesma do ano que vem. É isso: o surfista convidado de 2011 pode passar a temporada em Oahu à espera do sonho de estar no Eddie, não entrar na água por falta de swell e, em 2012, simplesmente não ser lembrado pelos organizadores.


Burle passou anos à espera. Declinou do convite uma vez por contusão, outra por fidelidade à dupla com o amigo e parceiro de tow-in Eraldo Gueiros (para ficar em terceiro na Copa do Mundo). A retaliação veio a reboque: foi excluído da lista.


“Consegui recuperar a posição com a minha dedicação às ondas grandes. Aí, ano passado, depois de vários anos na lista sem conseguir correr, estava na lista de novo. Vi que ia acontecer, o palanque estava construído. Confesso que a ansiedade aumentou muito. Fiquei ansioso a ponto de não surfar na véspera para não me machucar. Quando vi o Tom Carroll se contundindo pouco antes do evento, percebi que minha decisão tinha sido acertada.”


O sereno Burle não tem vergonha de assumir a ansiedade e dizer que o Eddie de 2010 foi um dos momentos mais marcantes de sua vida. Em 2011, novamente na lista titular, ele está mais tranquilo. Mas, depois de uma conversa inicial sobre o assunto via Skype, ele admitiu ter sonhado com a ansiedade causada pelo evento.


Este ano, Waimea pulsou forte a ponto de rolar uma chamada. Burle conta que, na areia lotada de expectadores desde os primeiros raios de sol, a tal ansiedade pela espera domina. Ele chegou a se preparar para entrar na água, porque está na primeira bateria, mas os organizadores decidiram não botar o evento na água porque o swell estava em declínio. Antes de ir embora da praia, ouviu o relato ansioso de um estreante casca-grossa:

    
“Na praia, o Chris Bertish, um sul-africano que chegou ao Eddie este ano, falou: consegui entrar na lista depois de muito tempo, e ainda nem sei se vou correr este evento algum dia.”


A leitura certa dos fatos ajuda Burle. Em vez de se lamuriar com a espera, ele prefere entender o evento. “Você tem que merecer estar lá. É fundamental a dedicação, mas tão importante quanto é o equilíbrio na vida. Até porque, no surf (e na vida), você não controla muito as coisas. Em Waimea, dizem que é o Eddie quem escolhe o vencedor.”

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O que deu no tempo?


Não é de hoje que se discute se o aquecimento global é motivado pelo cíclico e natural aquecimento do planeta ou pelos séculos de emissões de gases poluentes na atmosfera. O embate entre as duas linhas de raciocínio formou dois grupos de cientistas e ambientalistas, cada um puxando a sardinha para suas hipóteses e explicações. Mas enquanto eles não decidem, até porque o mais provável é que a causa seja uma soma dos dois fatores, sofremos ou vemos os outros sofrerem com as mudanças climáticas que esmurram nossas portas.

Lembro-me perfeitamente do clima de Teresópolis (cidade serrana no Rio de Janeiro) quando era menino e passava as férias de verão em nossa casa. Todos os dias tínhamos um lindo sol e céu azul até umas três horas da tarde, quando entrava a serração e a chuva de convecção desabava. Após um par de horas de água abundante, muitas vezes acompanhada de raios e trovões, com o característico cheiro de mato quente molhado, o céu limpo e azul fechava o dia com chave de ouro. A noite de céu estrelado e o friozinho da serra eram sempre companheiros garantidos. O tom saudosista é proposital, pois já não temos esse clima maravilhoso há anos. Ventilador e ar-condicionado em Teresópolis, impensáveis naquela época, hoje são itens obrigatórios no verão.
Em meados desse mês de dezembro, enquanto tínhamos, no Rio, dias amazônicos (quentes, úmidos e abafados), li uma matéria dizendo que São Paulo perdeu o título de Terra da Garoa, pois a típica garoa já não há mais. Pudemos também presenciar a prova viva das mudanças bruscas de temperatura que vêm ocorrendo nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Dias com temperaturas entre 30 e 40 ºC viam os termômetros caírem bruscamente para menos de 20 ºC. Chuvas torrenciais, fora de época, desabando e castigando cidades em todos os cantos do planeta. Até tornados já temos por aqui. Nevascas recordes na Europa e nos EUA, incluindo a Flórida. Ou seja, deu a louca no tempo.
Será que podemos fazer algo? Normalmente pensamos que muito pouco ou quase nada do que fizermos trará resultados práticos. Isso não deixa de ser verdade, mas é uma meia verdade. O grande problema está na questão abordada no primeiro parágrafo desse artigo. Ainda que exista margem de discussão, já está comprovado que os gases poluentes de efeito estufa contribuem consideravelmente para o aquecimento global do Planeta. E de onde vêm esses gases? Vêm das extrações de matéria-prima, da queima de combustíveis fósseis dos nossos próprios deslocamentos, das produções das fábricas e indústrias e da distribuição de todas as coisas que nos abrigam, nos confortam, nos alegram e nos alimentam. Tudo isso é intrínseco ao bem-estar e ao funcionamento das economias mundiais.
Nesse sentido, as grandes nações, mais ou menos poluidoras, o que inclui China, Índia, Japão, Rússia, EUA, Comunidade Europeia e até mesmo o Brasil, como vemos em todas as Cúpulas do Clima, e não foi diferente na última, realizada no início de dezembro desse ano (2010) em Cancún, no México, não estão dispostas a cortar suas emissões se para isso tiverem que reduzir seu consumo de recursos naturais e bens materiais. E não é diferente com as pessoas que vivem nesses países.
Apesar de sabermos que o planeta e seus recursos são finitos e nos sensibilizarmos com as questões de sustentabilidade, continuamos consumindo e jogando fora. Consumindo e jogando fora. (A repetição é proposital.)
Pode não ser muito, ou não o suficiente, mas felizmente há pessoas e entidades trabalhando para salvar ecossistemas (e animais), para produzir energias e processos mais limpos e para incentivar o consumo consciente, a redução do desperdício, a reciclagem e o reuso. Ou para simplesmente educar.
Junte-se a eles e acredite: podemos fazer algo em favor da Preservação da Natureza. Não fique parado. Envolva-se em 2011.
Recomendo a todos que assistam o excelente filme educativo The Story of Stuff (A história das coisas, com legendas em português).